Lufada do Atlântico 2017

A Associação Portuguesa do Sono (APS) organizou, nos passados dias 26 e 27 de maio, em Angra do Heroísmo, um encontro científico internacional - Lufada do Atlântico - dedicado à Síndrome de Apneia do Sono (SAS).

Na sessão de abertura, as entidades oficiais presentes começaram por congratular-se com o facto da iniciativa decorrer nos Açores, em particular em Angra do Heroísmo, onde funciona um Laboratório de Sono, como indicou Olga Freitas, Presidente do Conselho de Administração e Diretora do Serviço de Pneumologia do Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira. Rui Luís, Secretário Regional da Saúde da Região Autónoma dos Açores, recordou os fatores de risco ligados a síndromes, como a apneia do sono, e a necessidade de os combater, salientando que a obesidade está entre uma das principais causas. E daí a importância do conceito e da prática da 'prevenção'. Referiu ainda que “em saúde, em investigação e em ciência não há debates encerrados, mas sim contínuos, o que é sinal de progresso e evolução”. O Secretário Regional manifestou que, em sintonia com o continente e a Madeira, existe a preocupação de ter recursos humanos qualificados para tratar este problema de saúde pública.

BALANÇO
Joaquim Moita, presidente da APS, antes da iniciativa Lufada do Atlântico recordava que ”o sucesso das duas edições anteriores, tinha tornado a 'Lufada' sinónimo de atualização e discussão coletiva entre a comunidade que diagnostica, trata e acompanha o Síndrome de Apneia do Sono”. A expectativa para esta terceira edição era elevada e confirmou-se a inequívoca importância destes encontros científicos pela aprendizagem que permitem, discussão de práticas e decisões estratégicas.

A participação de especialistas portugueses e internacionais garantiu a qualidade das intervenções que variaram entre o estado da arte das questões da condução e sono (com Paula Pinto, da APS; Fátima Abreu, do Instituto de Mobilidade e Transportes, e Walter McNicholas, o principal responsável pela diretiva europeia desta temática) às consequências na vida dos adultos que sofreram SAS na infância, por Hui-Len Tan; da apresentação do sistema de saúde francês na gestão dos cuidados respiratórios domiciliários, por Jean- François Muir a uma desafiante proposta de pesquisa de biomarcadores moleculares por Cláudia Cavadas, do Centro De Neurociências e Biologia Molecular da Universidade de Coimbra. Teofilo Lee-Chiong, americano especialista em Medicina do Sono e autor de inúmeras publicações e palestras, abordou desde o modo como a tecnologia vai transformar o cuidado dos doentes de apneia, aos preocupantes 80% de casos da SAS não diagnosticados e fez referência à associação desta doença com a obesidade, recordando que, a manter-se a atual tendência, prevê-se que em 2048 o número de americanos obesos seja 100%.

Os workshops, muito participados e a suscitar muita discussão quando apresentados em plenário, alertaram para a necessidade de melhorar os processos de diagnóstico, prescrição e acompanhamento do SAS; propuseram a criação de guidelines de abordagem e estado da arte do cuidado com a criança para ter adultos mais saudáveis; a definição de critérios para atender às listas de esperas e a possibilidade da Plataforma de Dados da Saúde ser utilizada para anexar dados sobre o SAS.

A Lufada do Atlântico, organizada pela Associação Portuguesa do Sono, teve o apoio científico da Sociedade Portuguesa de Pediatria, Sociedade Portuguesa de Pneumologia e GRESP, e os patrocínios da Philips, Vital Aire, Linde, Sonocare, Praxair e Gasoxmed.  

  • Local

    Angra do Heroísmo

  • Data

    26 e 27 de maio de 2017

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