Notícias

Dormir bem dá saúde e faz crescer

Em Portugal as crianças e adolescentes dormem, em geral, menos tempo do que é recomendado, e muitas dormem menos do que os seus pais pensam.
Uma boa noite de sono é determinante para a saúde, desenvolvimento e desempenho escolar de cada criança.

A mudança dos estilos de vida, tanto dos pais como das crianças, tem vindo a favorecer a mudança do padrão de hábitos de sono. Por um lado, a precariedade do emprego e/ou múltiplas solicitações dos pais e, por outro, o acesso a uma diversidade de equipamento electrónico, são dois dos factores com enorme relevo nesta problemática.
A pequena disponibilidade dos pais para convívio com os filhos pequenos, ao fim do dia, retira-lhes a firmeza, fundamental, na instituição das regras de higiene de sono. E assim se enceta muitas vezes o ciclo vicioso das associações inadequadas ao início do sono, que depois se perpetuam ao longo da noite. As crianças acabam por exigir, vezes sem conta, a presença da mãe/pai para readormecer. De manhã, criança e pais estão esgotados com repercussão nas respectivas vidas social, escolar/laboral e por vezes conjugal.
Desde a idade escolar até à adolescência, somam-se os equipamentos electrónicos (consolas, telemóveis, tablets, computadores), frequentemente transportados para o local do sono, e roubando-lhe o tempo. 

A necessidade de se manterem em contacto permanente com os amigos, não só leva os adolescentes a atrasarem o início do sono, como a interrompê-lo para receber/enviar mensagens, a que acresce a presença de várias luzes em standby que também perturbam o sono.
A insuficiência ou a perturbação do sono pode ter efeitos nefastos na criança, não só a curto como a longo prazo. O défice de sono tem uma importância vital na consolidação da memória, nos processos de concentração e abstracção e, consequentemente no sucesso escolar. Alterações do comportamento como hiperactividade ou agressividade aparecem também na sequência da privação de sono e nos adolescentes, uma maior probabilidade de comportamentos de risco. A longo prazo, têm sido identificados efeitos cardiovasculares, imunológicos e metabólicos, nomeadamente a obesidade.
A melhor maneira para fazer face a esta “epidemia de comportamento inadequado para o sono” é através de educação – crianças, adolescentes, pais, educadores, profissionais de saúde – para a higiene do sono.
A insuficiência de sono tem uma importância vital na consolidação da memória, nos processos de concentração e abstração e, consequentemente, no sucesso escolar.
Premissas importantes para a higiene de sono em crianças e adolescentes são, entre outras: rotina consistente da hora de deitar, calma e segurança, promoção de autonomia, evicção de estimulantes, limitação da utilização de equipamentos electrónicos, respeitando a individualidade de cada criança.

Maria Helena Estêvão