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Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada

A Associação Portuguesa do Sono associa-se ao Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada e alerta para os efeitos na condução da síndrome de apneia do sono, particularmente para o facto de a sonolência diurna excessiva representar um dos principais fatores de risco para acidentes de viação, sendo responsável por 10 a 30% de todos os acidentes de viação e ser a principal causa de acidentes fatais.

Um estudo recente conduzido pela European Sleep Research Society em 19 países europeus, revelou que a prevalência da sonolência ao volante foi de 17%, sendo a Holanda, Áustria, Bélgica, Portugal, Polónia e França os países que registavam os maiores índices de sonolência.

Tendo em conta que a apneia do sono leva a hipersonolência diurna e a redução da concentração e da atenção, é uma condição clínica que está associada a um risco aumentado de acidentes de viação comparativamente à população geral, estimando-se que esse risco varie desde 2 até 12 vezes.

A sonolência ao volante leva a uma redução do desempenho durante a condução devido à diminuição da concentração e da atenção e do tempo de resposta aos estímulos exteriores.

A sonolência ao volante manifesta-se frequentemente por sentir os olhos pesados, bocejar e fazer uma condução errática, pelo que estes constituem sintomas de alarme para não prosseguir a condução.

O período após o almoço e de madrugada por volta das 4-5h da manhã são os períodos mais críticos de maior sonolência para todas as pessoas. Os doentes com apneia do sono, tendo em conta a sua situação patológica podem adormecer para além desses períodos, tornando-se um grave problema de saúde pública. As pessoas podem apresentar períodos de microsono que são fenómenos de adormecimento que podem durar desde uma fração de segundos até 3-14 segundos, períodos de tempo que podem ser fatais se se estiver a conduzir uma viatura.

A apneia do sono é uma situação passível de resolução, uma vez que o tratamento com CPAP é muito eficaz, reduzindo significativamente o risco de acidentes de viação, pelo que os doentes adequadamente tratados poderão obter ou renovar as suas cartas de condução, de acordo com a legislação em vigor (Decreto-Lei nº 40/2016 DR nº 145, Série 1 de 29-07-2016).

Para além do tratamento eficaz dos distúrbios do sono, todas as pessoas devem cumprir determinados hábitos de higiene do sono, como sejam dormir um número de horas suficiente (cerca de 8 horas); evitar guiar de madrugada, altura em que a capacidade de vigilância é menor; evitar refeições pesadas e não consumir álcool ou medicamentos que influenciem a capacidade de condução. Ao mais pequeno sinal de sonolência (olhos pesados ou bocejar), deverá parar ou fazer-se substituir por outra pessoa na condução, devendo ainda fazer paragens de 2 em 2 horas.

Paula Pinto

Direção da Associação Portuguesa do Sono, Coordenadora da Unidade de Sono e Ventilação não Invasiva do Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte e Professora da Faculdade de Medicina de Lisboa